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quarta-feira, 4 de junho de 2014 Blogs | 15:22

Andréa Werner, 38 anos, é mãe de Theo, de quase 6. Ele é autista, e ela fala sobre sua experiência no blog “Lagarta Vira Pupa”

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andrea e theo

Andréa Werner e seu filho, Theo

Andréa Werner Bonoli, mineira de Belo Horizonte, é autora do blog “Lagarta Vira Pupa“, onde relata sua relação com o filho Theo, de quase 6 anos, que foi diagnosticado autista aos 2 anos de idade. Conheça mais a história desta jornalista que encontrou no blog uma maneira de fazer terapia, dividir sua experiência e fazer amizades.

lagarta vira pupa

O layout do blog de Andrea

Andréa se casou aos 31 anos e foi mãe aos 32. Passou o início da gravidez certa de que estava esperando uma menina, que já tinha até nome: Sophia. O susto veio com um exame de sangue feito na oitava semana: o sexo do bebê era masculino. “Eu e meu marido tivemos que negociar e o único nome de que os dois gostavam era Theo.” Theo nasceu na hora certa, depois de nove meses tranquilos, sem intercorrências.
“Eu sempre gostei de bebês. Cheguei até a fazer uns bicos como babá na adolescência. Mas o tempo passou e não havia bebês na família”, conta ela. “Theo é o primeiro neto dos dois lados. Foi meio ‘cobaia’ em tudo.”
O primeiro ano de vida de Theo passou normalmente, mas quando ele fez um ano começou, segundo conta sua mãe, a ficar uma criança “mais difícil”. A percepção dela era de que muitas vezes ele parecia surdo.
“Não olhava quando a gente chamava nem atendia a comandos simples. A conclusão a que eu cheguei é de que ele era uma criança com personalidade forte e tinha ‘audição seletiva’”, lembra Andréa.
“Também parou de fazer algumas coisas que tinha aprendido, como bater palminhas e dar tchau. Eu achava que Theo tinha uma personalidade difícil. Pra mim, essa era a diferença dele. Mas o diagnóstico oficial de autismo só veio aos 2 anos, quando ele entrou para a escola, as professoras notaram algo diferente e nos encaminharam a um neuropediatra.”
DEPOIS DO DIAGNÓSTICO
Baseada em sua própria experiência, e no que aprendeu sobre a doença, Andréa conta que algumas crianças autistas já são diferentes desde bebês. “Alguns não gostam muito de colo, são excessivamente quietos, não levantam os bracinhos para ser carregados e não fazem contato visual na hora de mamar, por exemplo”, explica ela. “Outros apresentam um quadro de regressão: vão se desenvolvendo aparentemente de forma normal até o primeiro ou segundo ano, quando começam a perder as habilidades que adquiriram. Esse foi o caso do Theo.”
O AUTISMO DE THEO
Segundo Andréa explica, o austismo é um espectro. “Há casos de comprometimento severo, em que a pessoa nunca vai ter uma vida independente, e casos de pessoas brilhantes, que fazem faculdade, se casam, e lidam bem com suas dificuldades. Eu considero o Theo como moderado a severo. Mas ele é muito inteligente, esperto, brinca sozinho com o Ipad, entende tudo o que é falado e é extremamente carinhoso. Em alguns momentos, parece que estamos lidando simplesmente com uma criança que não fala!”
A MUDANÇA DO BRASIL
Em setembro de 2013, o pai de Theo recebeu uma proposta interessante de trabalho e a família decidiu se mudar de São Paulo para Londres. A mudança não teve relação direta com a doença do filho, mas Andréa logo descobriu que morar em Londres o beneficiaria também. “Pesquisei sobre autismo no Reino Unido, vi que o Theo teria muita assistência e resolvemos vir porque seria bom pra ele e pra nós. Eu não estava enganada. Nas escolas há um real preparo para lidar com crianças com necessidades especiais. Theo vai para uma escola regular que tem uma classe especial (eles chamam de “unit”) onde cada criança tem apoio um a um. Ele tem praticamente o mesmo currículo das outras crianças, mas também trabalha coordenação motora, comunicação alternativa, faz fono, natação e equoterapia. Agora, vai começar a terapia ocupacional. Tudo público e gratuito.”
A VIDA EM LONDRES
Vivendo em um bairro periférico de Londres, Andréa não tem preocupações com segurança, caos urbano, trânsito, poluição. “A vida aqui é a vida ideal. Pelo menos eu considero assim. Nosso bairro é muito tranquilo, sem violência, e com muito verde. Qualquer um pode pular a cerca para o meu quintal com facilidade, mas isso não acontece. Já chegamos a esquecer a porta aberta e, quando voltamos, tudo continuava lá. Há um parque enorme (o segundo maior da Inglaterra) a 3 minutos da minha casa.”
Theo está prestes a completar 6 anos de idade e ainda não fala, mas Andréa foi orientada a seguir se comunicando com ele em português em casa, mesmo que a língua fora de casa seja o inglês. “Apesar de ainda não falar, ele é muito inteligente e já entende várias expressões em inglês, de acordo com o relato de suas próprias professoras”, explica.
O PAPEL DO BLOG NA VIDA DE ANDRÉA
“O princípio da terapia é ‘falar para curar’. Acho que o meu blog funciona assim comigo”, diz ela. “Me senti muito sozinha no início do diagnóstico. Muito perdida também, sem saber pra onde me virar. Queria ajudar as mães que acabaram de receber o diagnóstico para que não passassem pela mesma situação.”
A partir do blog, Andréa conta que se aproximou de outras mães que enfrentam a mesma situação que ela. ”Me aproximei de muitas mães, fiz amizades reais por causa do blog. E receber emails carinhosos, onde as pessoas dizem que eu ajudei sem saber, não tem preço.”

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3 comentários | Comentar

  1. 53 Mario Luiz 05/06/2014 0:00

    Fico feliz que vocês conseguiram este tratamento de qualidade e totalmente gratuito. Pois, no Rio de Janeiro tenho que arcar com despesas superiores a R$ 1.500,00 mensais para que meu filho autista tenha o mínimo de tratamento adequado.

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  2. 52 rosangela 04/06/2014 21:25

    voçe esta de parabens,,,,,,tenho certeza que seu blog vai ajudar muita gente.

    Responder
  3. 51 Sílvia Regina alves da Silva 04/06/2014 17:15

    Você já leu alguma coisa sobre as novas gerações?
    Crianças que estão chegando ao nosso mundo com vibrações diferentes?
    Tenho um filho com 6 anos que teve um diagnóstico de autismo, falou muito tarde também, mas tive a felicidade de conhecer uma psicóloga interdimensional que estuda as novas gerações a muitos anos eque me ajudou muito a entender que não se tratava disso . Tenho certeza que iria te ajudar muito.
    Se quiser posso te passar o site. Grande abraço e luz. Teu filho é lindo!!

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