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quarta-feira, 30 de abril de 2014 Blogs | 16:08

Entrevista: conheça o advogado que vive ligado em séries desde que tinha 9 anos de idade

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Bruno no Dexter

Lembra dessa porta? Bruno fez uma visita ao set de “Dexter” em Miami

Bruno Carvalho tinha 9 anos quando a TV a cabo chegou ao Brasil, em 1992, em esquema de soft opening (período de teste, com acesso restrito). Sua cidade natal, Belo Horizonte, foi uma das praças escolhidas para receber a novidade como experiência. Já nesse momento ele descobriu as séries de TV – “Full House”, “Step by Step”, “Punky”, “Alf” -, que nunca mais parou de assistir.

Hoje com 30 anos, advogado de formação, tem um trabalho paralelo com blogs e sites de TV há 8 anos. Bruno é o criador do “Ligado em Série”, que abastece o iGlr diariamente com notícias sobre as séries favoritas do público brasileiro. “Não é isso o que me sustenta. Exerço a profissão de advogado, sou sócio num escritório grande em São Paulo, mas faço porque gosto mesmo”, explica.

Bruno no Friends

E desse sofá? Era nele, no Central Perk, em NY, que os amigos de Friends se sentavam todo dia

Além de uma equipe de 10 pessoas espalhadas pelo Brasil – o editor do site fica no Rio de Janeiro -, Bruno tem uma namorada que é editora de séries e de TV de um site grande. Tanta paixão e dedicação fez com que o “Ligado em Série” se transformasse num site de  sucesso, com reconhecimento do público – ele tem 100 mil seguidores fixos, com 20 mil acessos diários – e das assessorias de imprensa dos canais. “Tenho contato em todos os canais e sou convidado para eventos de lançamento, viagens de visita aos sets de gravação e rodadas de entrevista com atores”, diz ele. “Já enxergam o ‘Ligado em Série’ como um veículo tão grande quanto os demais.”

Tudo muito merecido. O site tem repercussão nacional e até internacional, e os colaboradores são realmente especialistas no assunto. “Todos são fanáticos por séries, cada um num certo nível, com gostos variados”, conta Bruno. “Não temos regras ou divisões, é um espaço livre, cada um escreve sobre o que quiser. Seleciono as pessoas que vão colaborar de acordo com o perfil, tem de se adequar ao nosso editorial. Não há exigência de número de posts, somos mais focados na qualidade do que na quantidade.”

 

Bruno Breaking Bad

Bruno visitou também o trailer que servia de laboratório de produção de drogas em Breaking Bad

BliGlr – Agora que as séries americanas são sucesso mundial, qual é o grande desafio para elas? 

Bruno – O grande paradigma das séries norte-americanas é tentar encontrar o próximo grande sucesso. Tivemos o boom de “Lost”, que era uma produção da TV aberta americana, e em seguida de “Braking Bad” e “Game of Thrones”, ambas em canais fechados. Os canais fechados estão focando na qualidade, e estão servindo de referência para os canais abertos.  A tendência são séries mais enxutas e muita coisa está sendo cancelada.

BliGlr – Como você analisa o atual momento da TV aberta nos Estados Unidos?

Bruno – Com a popularidade de sistemas como Netflix e streaming, o momento da TV norte-americana é similar ao da mídia impressa, que está correndo atrás do digital. A TV aberta está correndo atrás da TV paga e se espelhando nela, porque é dali que estão vindo os maiores sucessos.

BliGlr – E o que mais mudou no hábito do telespectador?

Bruno – É uma época de transformação. Desde que os canais passaram a divulgar todos os episódios de uma série no mesmo dia, todos se tornaram adeptos do “binge watching” (prática de assistir a um único programa por um longo período). Os anunciantes ficam doidos, porque não tem muito espaço para comerciais. E as pessoas estão assistindo cada vez mais TV pela internet.

sexta-feira 13

Após estrelar 12 filmes de 1980 até 2009, Jason Voorhees, de “Sexta-feira 13”, vai atacar na TV

BliGlr – E com relação aos atores, você acha que mudou o status daqueles que trabalham na TV?

Bruno – Hoje o ator de cinema que consegue um papel fixo em uma série de sucesso tem garantia de renda constante. Mesmo que o cachê inicial não seja equiparável ao cachê de um filme, o ator tem possibilidade de crescer como personagem, se aprofundar. Bryan Crenston, do “Breaking Bad”, virou um grande astro depois do sucesso da série. Tem o Matthew McConaughey, que ganhou o Oscar e está em “True Detective”, o Kevin Spacey em “House of Cards”. Antes era constrangedor o cara ir do cinema para a TV, hoje é uma busca, ele vai para a TV desenvolver uma carreira paralela que acaba abrindo portas no cinema em vez de fechá-las. E tem também os casos de um filme que começa no cinema e acaba em série, como “Fargo”, “Bates Motel” e “Hannibal”.

 “Antes era constrangedor o cara ir do cinema para a TV, 

hoje é uma busca, ele vai para a TV desenvolver uma carreira 

paralela que acaba abrindo portas no cinema em vez de fechá-las.”

 

Bates Motel

Bates Motel – Vera Farmiga e Freddie Highmore são mãe e filho na série do Universal Channel

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BliGlr – Qual é a série que você cita como modelo de sucesso que as outras buscam?

Bruno – Todas as séries querem ser “Lost”. Ela chegou no momento certo, as mídias sociais estavam aflorando, a série tinha apelo grande para esse público. Desde então toda série batalha para se manter relevante na internet.

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BliGlr – Como foi a atuação do “Ligado em Série” durante a exibição de “Lost”? 

Bruno – Escrevi uma crítica no final de “Lost” que foi um dos recordes de leitura do site. Teve mais de 500 comentários. Hoje o comentário foi trocado pelo like e a conversa entre as pessoas migrou para as redes sociais.

BliGlr – Quem é o seu público?

Bruno – Tem gente de todas as idades, mas o site é mais acessados por adolescentes e adultos até 35 anos, conforme os reports de Analytics.

BliGlr – O que você tem achado das séries que estão no ar agora? Algum destaque?

Bruno – Estou apostando em “Penny Dreadful”, uma série meio de terror que ainda não estreou. O conteúdo da Netflix também é bom, diferenciado e interessante. “Orange is the new black” está chegando à segunda temporada.

BliGlr – Como são os dados de audiência dessas séries?

Bruno – Eles não divulgam, não dá para dizer. Por acaso tenho contato direto com o VP de marketing da Netflix e ele me diz quais séries estão fazendo sucesso no Brasil, mas não solta dados numéricos. Eu acho acertado. É uma estratégia para não se fazer comparação com a TV e afastar anunciantes. A Netflix não está tão preocupada em audiência, está preocupada em assinantes e ampliar suas produções originais. Ano passado as séries da Netflix foram indicadas aos prêmios mais importantes da TV americana, Robin Wright foi indicada ao Emmy e levou O Globo de Ouro de melhor atriz por “House of Cards”. A TV a cabo passou anos sem divulgar dados de audiência, o que só recentemente passou a fazer.

Underwoods

Kevin Spacey e Robin Wright são Frank e Carrie Underwood em “House of Cards”

BliGlr – Você acha que a tendência é surgirem novas Netflix?

Bruno – Certamente. A Amazon está investindo em conteúdo digital (Amazon Prime, serviço que ainda não está disponível no Brasil), a Microsoft também. Logo surgirão novas séries.

BliGlr – Como isso reflete na programação das emissoras de TV nacionais?

Bruno – A Globo e outras emissoras estão investindo mais em séries e  minisséries também. As novelas estão mais curtas, isso tudo é reflexo do sucesso das séries americanas com o público brasileiro.

 

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